Paulo Freire, Guetorização e Educação Matemática (15/02/2022)
Ole Skovsmose
Traducão: Jefferson Biajone
Revisão da Tradução: Antonio Miguel
Resumo: Acredito que a discussão sobre a educação
matemática pode ser relacionada com a
discussão sobre a globalização e, portanto, também com
a da
guetorização, já que
julgo ser esta
um aspecto da
globalização. Conhecimento e desenvolvimento de conhecimento
podem ser vistos como coisas às quais
se atribui valor.
Isto é certamente proposto
pela teoria do valor relativo ao
conhecimento de Daniel Bell. Entretanto, a valorização do conhecimento tem
raízes profundas no
movimento do Iluminismo - aqui
concebido de
forma ampla -, que se
caracteriza pela idéia
de que o progresso sociopolítico pode
ser assegurado pelo
progresso
do conhecimento — e do conhecimento científico, em
particular. Este pressuposto
do Iluminismo é
questionável, e agora com
boas evidências,
já que o
conhecimento científico, incluindo o
conhecimento matemático, é capaz de “maravilhas”, bem como de
“horrores”. Isto nos
leva a uma
situação aporética com
respeito ao conhecimento. Devemos abandonar a
idéia de
que qualquer avanço
cego do conhecimento (científico) constitui
um motor para o “progresso”. Como consequência, não podemos construir
uma educação matemática
com base no pressuposto simplista de
que isso implicará
o bem final para aqueles nela
envolvidos. Dessa
forma, o papel
efetivo a ser
desempenhado pela educação matemática dependerá
dos contextos nos
quais ela estará se desenvolvendo. Considero crítico
o papel sociopolítico desempenhado pela
educação matemática.
Com isso, quero
dizer, primeiro, que, o que
a educação matemática está
fazendo é algo
que merece atenção
e
consideração. A educação matemática
pode produzir diferenças
para certos grupos
de pessoas.
Por intermédio da
matemática, é possível
estratificar
e propiciar diferentes oportunidades de
vida a diferentes
grupos de pessoas.
A educação
matemática constitui um
elemento indispensável para
o desenvolvimento
sociotecnológico. Em segundo
lugar, acredito
que a educação matemática
é crítica, no
sentido de que ela não
tem uma característica essencialista que
possa garantir que o
seu efetivo papel sociopolítico cumpra
certas funções atrativas, tais como as estipuladas nos objetivos comuns
dos currículos. A
educação matemática poderia
servir para o desenvolvimento adicional de uma
preocupação com a democracia, tentando promover,
desse modo, a inclusão social. Ela poderia,
entretanto, provocar
a exclusão social.
Isto me leva
a considerar a
importância da educação matemática
crítica.
Palavras-chave: Educação matemática
crítica; globalização; aporismo; incerteza.
Disponível no em https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8646990/13891
Texto 2: Educação matemática e Paulo Freire: entre vestígios e imbricações
Regis
Forner
Vanessa
Oechsler
Alex
Henrique Alves Honorato
Resumo
Este trabalho analisa os caminhos
traçados pelos oito pesquisadores entrevistados de uma dissertação de mestrado (FORNER,
2005), com a finalidade de identificar possíveis sinergias entre o legado de
Paulo Freire e tendências em Educação Matemática. Para isso, realiza-se uma
busca a partir da leitura do Currículo Lattes de cada um dos oito sujeitos,
focando nas teses e dissertações orientadas e defendidas a partir de 2004 (ano
em que as entrevistas foram realizadas e transcritas). Como resultado deste
estudo, tem-se que, em muitas das pesquisas consultadas, as teorias de Paulo
Freire apenas as perpassam (vestígios) e em outras, como as de Modelagem
Matemática, Etnomatemática e aquelas embasados na Educação Matemática Crítica,
há fortes interligações (imbricações).
Palavras-chave:
Entrevistas, Plataforma Lattes, Árvore genealógica, tendências em Educação Matemática.
Disponível em:
https://www.revistas.ufg.br/interacao/article/view/43887
Vídeos
DOCUMENTÁRIO: Paulo Freire Contemporâneo (TV Escola)
Aula Magna Ole Skovsmose PPGEM 2014.1
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